Todas as empresas que chegaram ao topo do mercado têm algo em comum: elas sofreram, mas conseguiram entender as necessidades dos seus clientes das mais diversas formas. Pensando nessa dificuldade, dois brasileiros fundaram em 2015, no Vale do Silício, o Worthix.

A grande sacada da startup é oferecer uma tecnologia de pesquisa baseada em recursos de inteligência artificial. Assim, o serviço pode medir com precisão quais são as principais experiências capazes de produzir lealdade junto aos clientes. Com isso, não é de se espantar que uma ferramenta como essa tenha chamado atenção de gigantes pelo mundo rapidamente.

Sim, o projeto criado por Guilherme e Gustavo Cerqueira deu tão certo que eles já prestam serviço para companhias como TIM, Oi, Vivo, Nextel, Banco do Brasil, Centauro, HP e muitas outras. Tudo isso porque a disputa para descobrir o que o cliente precisa se tornou um fator primordial quando se trata de sucesso e lucro.

O Worthix levantou US$ 1,7 milhão em uma rodada de investimentos e conta com o apoio de uma das maiores aceleradoras do mundo, a 500 Startups. Além disso, o Valor Capital e o fundo de investimentos da Bebit também aparecem como investidores da startup, que já conta com escritórios em São Francisco, Atlanta e no Rio de Janeiro.

“Se pensarmos bem, não foi a Netflix que prejudicou as locadoras de vídeo, não é a Amazon que elimina o varejo tradicional, nem foi a Apple que penaliza a indústria da música. As empresas dessas indústrias é que estão se suicidando quando falham na tarefa fundamental de medir e criar experiências inovadoras”, contou Guilherme Cerqueira, CEO do Worthix, em entrevista ao portal Startupi.

IA a serviço dos negócios

O serviço do Worthix consiste em aplicar questionários aos clientes. Parece simples, mas a ideia conta com uma série de inovações que fizeram toda a diferença para o negócio. A própria plataforma determina quantas e quais perguntas serão feitas aos consumidores com base nos temas propostos por suas parceiras. Desta forma, é possível obter resultados bem mais consistentes do que em pesquisas feitas da forma tradicional.

Adicionalmente, quando a startup disponibiliza os relatórios às empresas, ela já ressalta quais experiências mostradas pelos clientes possuem maior chance de aumentar vendas e inspirar mais lealdade. “Todas as empresas querem ter clientes satisfeitos. Porém, a lista de empresas que saem do mercado todos os dias, mesmo tendo clientes muito satisfeitos, só cresce”, explica Guilherme.

“A Blackberry, por exemplo, em 2009, batia recorde em seus indicadores de satisfação enquanto perdia uma fatia irrecuperável de seus clientes. O mesmo fato acontece agora, em 2017, com o varejo nos EUA. Grandes lojas estão fechando as portas enquanto seus indicadores de satisfação de clientes continuam mostrando que está tudo bem”, analisa o executivo, lembrando ainda que “a satisfação é apenas uma dentre as inúmeras influências que cercam a experiência e a decisão de um cliente”.

Para ele, o Worthix foi desenvolvido para medir todo esse espectro de influências e apontar com precisão quais delas são mais importantes e lucrativas. Mesmo nascendo em solo americano, a empresa fundada por brasileiros quer expandir sua operação justamente no mercado nacional. A expectativa da dupla é fechar grandes parcerias pro aqui até o final deste ano.

“Reservei investimentos para que ainda em 2017 conquistemos mais cases com empresas brasileiras para em seguida destacá-los lado a lado com cases de clientes internacionais. O mundo precisa saber que as empresas brasileiras também podem ser pioneiras e grandes referências de sucesso nessa nova economia da experiência”, encerrou o CEO.