Se você adora fazer compras online (especialmente roupas), é possível que já tenha ouvido falar do aplicativo Wish. A companhia homônima está trabalhando para levantar um investimento no valor de US$ 350 milhões e ampliar sua operação. Os planos da empresa foram divulgados primeiro pela Axios, mas o valor estimado pela publicação era de US$ 250 milhões (as apostas aumentaram um pouco desde então).

Com isso, o e-commerce passa a ter valor de mercado de US$ 8,5 bilhões. O que, consequentemente, também faz com que a empresa passe a valer mais do que grandes varejistas norte-americanas (que estão há anos no mercado) juntas - Macy's, JC Penney e Sears valem respectivamente US$ 6,6 bilhões, US$ 1,2 bilhão e US$ 780 milhões.

Como a empresa conseguiu construir tudo isso em cinco anos e sem sequer ficar no radar de muitas publicações da imprensa? Te contamos um pouquinho dessa história.

Do início

O mercado de e-commerce está, há algum tempo, se mostrando um grande concorrente para as lojas físicas. E a velocidade com que o aplicativo Wish cresceu, ultrapassando o valor de mercado dessas grandes varejistas, representa bem essa afirmação.

Em maio, a startup de San Francisco conseguiu levantar o montante de US$ 500 milhões, em uma rodada de investimentos liderada por grandes nomes como China Everbright, DST Global e Formation 8 Partners. O valor de mercado da empresa, na época, foi avaliado em US$ 3,5 bilhões. Depois disso, em menos de seis meses, esse mesmo valor mais do que dobrou. 

Mas a trajetória de sucesso da startup vem desde o início, em 2010, quando o ex-engenheiro de software da Google, Peter Szulczewski, cofundou a plataforma junto com seu sócio Danny Zhang. Desde então, a empresa totalizou rodadas de investimentos que ultrapassaram a marca de US$ 1 bilhão e conquistou mais de 300 milhões de usuários.

O aplicativo foi lançado primeiramente como uma “wishlist”, ou uma lista de desejos onde as pessoas poderiam colocar tudo o que queriam eventualmente comprar na vida - mais ou menos como pode funcionar os boards do Pinterest para algumas pessoas (tipo eu!). Mas o executivo já possuía uma outra empresa, a Context Logic, que era especializada em publicidade online.

O que aconteceu depois é que o Wish se tornou muito mais do que um apanhado de imagens e, usando a tecnologia de aprendizado de máquina da Context Logic, Szulczewski trabalhou para melhorar a experiência do usuário em compras no Wish.

Mas o que provavelmente foi a arma mais utilizada pela empresa para emplacar no mercado foi o seu plano de marketing. A companhia investiu cerca de US$ 100 milhões em um ano apenas com publicidade no Facebook, de acordo com relatório da Recode - assim, ela se tornou o segundo maior aplicativo que anuncia na plataforma. De acordo com a Sensor Tower, a empresa é a sexta maior anunciante no Google e a quarta maior no Pinterest.

Evolução

No primeiro semestre deste ano, a base de usuários da empresa cresceu 50% ano sobre ano, de acordo com dados da empresa de pesquisas móveis Sensor Tower.

Fora isso, em 2015, a empresa bateu a marca de sete dígitos em vendas (sim, isso mesmo, em apenas três anos). Em entrevista ao The Hustle publicada no ano passado, a companhia afirma que parte do motivo para alcançar esse resultado é que a Wish não age como o Alibaba, por exemplo, fornecendo um espaço para comerciantes, que ficam com o lucro limpo de suas vendas. O aplicativo, em vez disso, abocanha uma taxa de 15% para comércios.

O que os vendedores (que são, em sua grande maioria, da região da Ásia) ganham em troca? Todo um atendimento personalizado ao usuário (e sabemos que cliente feliz compra mais vezes, não é mesmo). Diferente de plataformas como Aliexpress, por exemplo, em que consumidores conversam diretamente com vendedores, a Wish realiza essa intermediação.

“Tome como exemplo um comerciante local de Shenzhen, onde a maioria dos produtos no mundo são fabricados, tanto os de marca quanto os sem marca", explica Szulczewski ao The Hustle. "Esse comerciante não tem ideia de como vengmail.comder para pessoas na Holanda, França, Brasil, EUA, Austrália. Ele também não faz ideia de como se comunicar com esses consumidores, então tomamos conta disso. O que os comerciantes obtêm em troca é que, de repente, eles conseguem uma audiência adicional de mais de um bilhão de usuários de smartphones que realmente não canibalizam seu mercado já existente.” Ponto para a Wish.

Quer outro dado sobre o sucesso da empresa? Ontem mesmo, a companhia fechou um acordo de patrocínio com o time de basquete Los Angeles Lakers (e ganhou um lugarzinho na camiseta dos jogadores bem ao lado do logo da Nike). A fatia de patrocínio da Wish foi estimada entre US$ 12 milhões e US$ 14 milhões anualmente, sendo o acordo válido por três anos.

Ou seja, a companhia realmente está investindo para ser gigante e investidores acreditam que ela pode chegar a bater de frente com outras empresas do ramo como Alibaba, Amazon e Walmart.

A empresa, aliás, chamou tanto a atenção do mercado que você sabe quem se interessou em comprá-la? Se você chutou Jeff Bezos, acertou em cheio. A oferta teria sido de US$ 10 bilhões em dinheiro, mas Szulczewski recusou.

“Somos o sexto maior e-commerce do mundo e estamos mirando a primeira posição”, descreve o próprio site da empresa. É, parece que eles não estão para brincadeiras mesmo.