A Dreamscape Immersive anunciou uma nova rodada de investimentos e conseguiu levantar US$ 20 milhões com a ação. O montante pode não parecer muita coisa em um primeiro momento, já que algumas startups do setor de tecnologia conseguem uma arrecadação na casa das centenas de milhões de dólares sem muito esforço. Porém, o que realmente chama atenção nesse caso é que o investimento foi liderado pela AMC – considerada a maior cadeia de cinema multiplex do mundo.

Fora isso, a startup de realidade virtual também já tem uma série de pesos-pesados da indústria hollywoodiana ao seu lado. Um dos principais nomes desse grupo é o premiado cineasta Steven Spielberg. Outros gigantes do entretenimento incluem Warner Bros., 21st Century Fox, MGM e IMAX Corporation. As chances são que, com um time como esses dando suporte ao seu projeto, aquele zero a menos na arrecadação se torna apenas um detalhe temporário, certo?

Realidade virtual no cinema

O principal esforço da Dreamscape Immersive consiste em não apenas desenvolver um equipamento de última geração, mas também (e principalmente) levar uma experiência diferenciada aos cinemas – e daí a importância do investimento feito pela AMC. Outra característica única da startup está relacionada à tecnologia de captura de corpo inteiro desenvolvida pela empresa. O que ela faz de tão diferente? Simplesmente permite que até seis usuários simultaneamente compartilhem da mesma experiência de realidade virtual.

A ideia é que se tenha um local específico para aplicar a tecnologia, de forma a criar uma experiência que seja ao mesmo tempo real e virtual. Isto é, o que o usuário vê por meio do equipamento também pode ser sentido no mundo real. Ok, ok, você ainda está um pouco confuso sobre o funcionamento dessa brincadeira? Então, confira a o vídeo abaixo para entender melhor o esquema.

Esse clipe é uma demonstração feita em 2016 no Festival de Filmes de Sundance. O sistema é da Artanim Foundation e é essa tecnologia de rastreamento de movimentos que é utilizada pela Dreamscape.

Isso é especialmente interessante se considerarmos que usuários comuns só poderão ter esse tipo de experiência compartilhada dentro do cinema ou de um espaço específico para isso, por exemplo. Afinal, o equipamento seria caro demais para ser transportado para a casa das pessoas – pelo menos nesse primeiro momento. Vale notar que ainda é preciso um espaço considerável para abrigar a infraestrutura do show – o que inviabiliza sua instalação em qualquer cômodo.

Essa possibilidade (que ainda tem toda uma oferta de personalização por trás de si) parece ter sido exatamente o que mais atraiu a atenção da AMC, que aproveitou a oportunidade para também fechar outro acordo com a Dreamscape: uma parceria que visa ampliar o uso dessa tecnologia. A ideia já está em testes e deve chegar dentro de 18 meses em até seis locais ainda não especificados dos Estados Unidos e Reino Unido.

Além disso, a AMC liberou um fundo de conteúdo no valor de US$ 10 milhões para a startup, com o intuito de que as primeiras experiências possam ser colocadas em prática logo de cara.

Novos caminhos

A realidade virtual pode ser o futuro que trará diferenciação para consumidores no quesito entretenimento. Isso porque, apesar de as televisões tradicionais serem as que mais estão sofrendo com a ascensão dos serviços de streaming e sob demanda, os cinemas também devem sentir esse baque em algum momento.

Nos Estados Unidos, por exemplo, o TechCrunch cita que mais e mais pessoas estão preferindo assistir aos longas-metragens em casa, assim que saem das telonas. A ideia aqui, é que, além de economizar seus preciosos dólares, as pessoas também tenham a conveniência de poder colocar os pijamas e ficar na frente da televisão sem nenhum tipo de julgamento.

A realidade virtual também pode ganhar outro tipo de relevância quando o assunto é consumo de entretenimento. Isso pode ser visto em iniciativas como a da Disney, que anunciou no último mês a integração de experiências de VR oferecidas por uma empresa chamada The Void (uma das pioneiras no setor) em dois de seus parques temáticos.